Para mim, é muito interessante notar a semelhança — inclusive entre a indústria da literatura, teatro e jornais, desde o sec XIX e muito bem abordada em Ilusões Perdidas (meu livro preferido) — da indústria fonográfica ou audiovisual (músicos, atores e demais profissionais da área ainda são reféns de quem manda na gravadora ou estúdio) com a área de game design.
Empresários, produtores, executivos e CEOs de corporações já podaram e podam a expressão artística há muuuuuito tempo, além de literalmente explorar o talento de quem apenas, unicamente, simplesmente, só quer que sua obra tenha o alcance que merece e cumpra o objetivo para o qual foi idealizada, que é... bem, nesse ponto, já entra na subjetividade do termo "arte", mas basicamente a arte não é conectar seres humanos, exprimir um pouco de magia na vida de todos que podem se beneficiar por receber a mensagem contida ali?
Músicos de Blues ou de Rock sofreram muito com contratos absurdamente exploratórios, atrizes sofreram e provavelmente ainda sofrem com o "teste do sofá", por exemplo.
Quantas obras de arte não chegam a se materializar por decisões capitalistas ou arbitrárias? Livros, pinturas, peças, atuações, coreografias, series, filmes e animações...
Quantos artistas não se suicidaram ou viveram uma realidade mais triste do que deveriam (redoma de cristal, gaiola de ouro que chama) por contratos abusivos, por manipulações das suas necessidades afetivas, inseguranças ou mesmo vulnerabilidade econômica? Fora a questão de induzir à dependência química, ao costume do luxo e facilitações, etc. que envolvem o meio artístico.
Mas enfim.. claro que vivemos no mundo real, e óbvio que interesses financeiros/comerciais estão envolvidos nesse âmbito, porém... e esse é o ponto em que eu quis chegar ( e desculpem o desvio que usei para contextualizar o que ocorre na indústria de jogos, onde estou me inserindo):
Muitos jogos que poderiam ser geniais tiveram que ter o seu tempo de desenvolvimento diminuído, e o resultado final foi insatisfatório, devido data de lançamento precisar coincidir com datas festivas (para aumentar as vendas).
E a indústria de jogos independentes, os "indies", é cada vez mais expressiva, justamente por não ter essa "amarra" criativa, por o projeto ser sincero, autêntico. Eu, que gosto muito e já li biografia de vários artistas, vejo que é a mesma velha história, saca? Tim Maia e Lobão tão ai pra comprovar que existem alternativas.
É lógico que não estou dizendo que não existam questões mais urgentes na nossa realidade atual (trabalho escravo, fome, falta de acesso à saúde ou saneamento, guerras, feminicídio (entre outros crimes de ódio)... Ser artista não impede de defender essas causas, inclusive.
Estou apenas abordando um tema que é do meu interesse e que não deixa de ser válido.
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