O último episódio minimamente interessante da minha vida foi com o meu colega, Jeff, que além de trabalhar comigo é dependente químico e suicida.
Nos conhecemos quando viemos assumir o cargo, aqui em Jardim de Piranhas.
Fizemos o treinamento juntos e até bebemos uma latinha de 51 no nosso primeiro dia de trabalho(sim, durante o expediente kkk).
Eu almoçava aqui na casa dele quando era casado e morava em Caicó, e ele é uma das melhores pessoas que conheço.. quando não está drogado.
Já acompanhei alguns episódios complicados e ele já até tentou se matar duas vezes por acabar se afundando tanto nas drogas que não via saída(sempre há, e a internação é o caminho mais rápido).
No último, vendeu o notebook da mãe, o celular dele e uma antena da Claro livre, com receptor, fora ter gastado mais de R$500,00 em crack e pó.
Dai ele veio receber o salário e passou dois dias se drogando e depois foi encontrado dopado, com uma corda no pescoço, dentro de uma casa abandonada..
Enfim, ontem eu cheguei do trabalho e ele estava na porta de casa, me esperando.
Eu não abriguei ele e disse, de maneira até rude, que não queria ele por perto quando ele estivesse drogado ou bêbado.. e, com a mão no coração, pedi pra ele ir embora.
Antes de ir, ele me contou a situação dele: ele arrumou uma dívida de 1700 reais com um traficante, durante as férias, e agora está refugiado aqui em Jardim de Piranhas(ele mora em Caicó) desde sexta-feira, dia em que recebeu o salário.
Ele é muito meu amigo, lance de irmão espiritual mesmo, e já fez muito por mim - além disso, costumávamos usar muitas drogas juntos e muitos dos móveis da minha casa são dele.. mas estou tentando me reerguer depois de uma das piores crises depressivas da minha vida, arcando com as consequências das dívidas que fiz ano passado; não preciso de ninguém pra me puxar pra baixo.
Já é difícil o bastante ficar sem fumar ou beber, sem falar em manter as contas pagas, sem precisar de uma pessoa que, depois de várias chances que já teve, não tenta se ajudar.
É duro, mas não posso abraçar o problema das outras pessoas.
Tenho uma responsabilidade com as pessoas que me amam e que torcem por mim e não pretendo negligencia-la.
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