Verão de 1974
Jake não era um carregador de movéis.
Isso era o que ele fazia pra ter grana.
Grana necessaria para faze-lo ser, de fato, o que ele já era.
Jake Irons era um rockstar.
Ele trabalhava cinco dias por semana, oito horas por dia.
Fazia isso pra ter dinheiro pra sair com garotas, claro, afinal ele tinha 17 e os hormonios comandavam boa parte dos seus pensamentos.
Mas principalmente, fazia pra ter como pagar o aluguel d"A Sede", o porão que ele e sua banda usavam pra ensaiar.
Além de todos os aditivos que eram necessários pra magia acontecer.
Todo ensaio tinha alcool, estimulantes e maconha suficientes pra fazer quase qualquer merda que eles tocassem parecer genial, inclusive as versões "sincopadas(que na verdade, eram só fora de ritmo)" de bandas como os Stones, Cream ou algo mais pesado como o Sabbath¹, algo que o baixista obcecado por Funk, Jey Seeks, insistia em tentarem, todo final de ensaio.
Eles não tinham um nome pra banda ainda, e nem uma ideia de como começar compor as músicas.
A verdade era que nenhum deles tocava bem, além do baterista, Matt Daniels.
Ele tocava pra caralho, e se comparado ao resto da banda, era um deus.
O único motivo pra ele ainda tocar com os caras era toda a erva, vodka e anfetamina que conseguia consumir(de graça, obviamente) nos ensaios.
O que era quase o dobro do que qualquer um da banda precisava(ou aguentava).
Ele era alto, quase 1,90, e tinha cabelos que pareciam molas, na altura do ombro, e sempre tinha aquele ar de "qual vai ser a loucura que vamos fazer essa noite?"
Jey Seeks não era tão bom ainda no baixo, mas tentava acompanhar a bateria o melhor que podia, e a cada ensaio se saia melhor.
Ele tbm era o intelectual da banda, sempre com um livro na mochila, quase sempre sério(menos quando estava chapado) e era de longe o mais maduro deles, apesar de ser o segundo mais novo.
Gostava de jazz e funk, adorava os ritmos truncados, mesmo que não conseguisse reproduzi-los. E, como todos os outros, amava com todas as forças tudo que fosse rock'n'roll de verdade.
O vocalista, como é de se esperar, era o mais bonito dos quatro.
¹O trecho se refere ao Rollings Stones e Black Sabbath, obviamente.