E sinceramente não sei dizer qual o motivo.
Ainda mais que eu to lendo Balzac(
E puta que pariu, ler Balzac sempre dá um nó no meu cérebro e na minha alma.
To relendo o Pai Goriot, que é, de certa forma, o precursor do Ilusões Perdidas e envolve os mesmos recursos: um jovem inocente, que começa aos poucos a aprender as artimanhas para triunfar na vida e na corte em Paris, perdendo a moral e passando por cima dos seus princípios.
Esse livro tem o personagem mais interessante de todos do universo Balzaquiano e aparece tbm no Ilusões e em outro, o Vautrin.
Se fosse pra dar uma definição pra ele, ele poderia ser o diabo.
Ele sempre tem argumentos perfeitos pra corromper tanto o Lucien, no Ilusões quanto o Eugene, no Pai Goriot.. e também pra corromper o leitor.
Sempre fico
Vou transcrever um trecho de um dialogo, mas é outro personagem quem fala, mas que poderia perfeitamente ser o Vautrin(ele fala coisas bem parecidas no final de Ilusões Perdidas, inclusive)
"(...) Quanto maior for a frieza com que calcular, mais longe irá. Dê golpes sem piedade e será temido. Considere homens e mulheres apenas como cavalos de posta que deixará morrer a cada etapa do caminho, e assim chegará à meta de seus desejos. Vejo bem, o senhor nada será se não despertar o interesse de uma mulher. Precisará de uma jovem, rica, elegante. Mas, se tiver um sentimento verdadeiro, esconda-o como um tesouro; jamais deixe alguém desconfiar dele, pois estará perdido. Deixaria de ser o carrasco para tornar-se a vítima. Se um dia amar, guarde bem seu segredo! "
Acabei de achar uns trechos de Ilusões perdidas com palavras do próprio Vautrin:
“Não veja nos homens, e sobretudo nas mulheres, mais que instrumentos, mas não os deixe perceber isso”, diz Vautrin ao discípulo, pobre e ambicioso. “Adore como ao próprio Deus aquele que, em posição mais alta que você, pode lhe ser útil, e não o largue até que ele tenha pago muito caro sua servidão. Enfim, no comércio do mundo, seja áspero assim como o judeu: faça pelo poder tudo o que ele faz pelo dinheiro. E também: preocupe-se com o homem em desgraça tanto quanto como se ele nunca tivesse existido.”
Ele afirma que Lucien, não tendo nada, se encontra na situação de Richelieu ou Napoleão no início de suas ambições; estes avaliaram que o para terem um futuro brilhante deveriam se valer de armas como a ingratidão, a traição e as mais violentas contradições. “Quem quer tudo deve ousar tudo”.
Pra mim, é perturbador perceber que há lógica nesses raciocínios.
Eu sou, como até a minha namorada as vezes diz, bonzinho demais, mas sou por escolha.
Só que com um pequeno empurrãozinho, posso acabar sendo seduzido de vez pelo "lado negro" e acabar sendo tão ruim quanto hoje eu sou bom.
Não acho essa possibilidade impossível e nem improvável.
Acho muito inquietante, isso sim..