sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Hoje me senti um pouco mais comunicativo e sociável e conversei antes da aula, ao invés de ir direto pro meu canto..
E sinceramente não sei dizer qual o motivo.
Ainda mais que eu to lendo Balzac(
E puta que pariu, ler Balzac sempre dá um nó no meu cérebro e na minha alma.
To relendo o Pai Goriot, que é, de certa forma, o precursor do Ilusões Perdidas e envolve os mesmos recursos: um jovem inocente, que começa aos poucos a aprender as artimanhas para triunfar na vida e na corte em Paris, perdendo a moral e passando por cima dos seus princípios.

Esse livro tem o personagem mais interessante de todos do universo Balzaquiano e aparece tbm no Ilusões e em outro, o Vautrin.
Se fosse pra dar uma definição pra ele, ele poderia ser o diabo.
Ele sempre tem argumentos perfeitos pra corromper tanto o Lucien, no Ilusões quanto o Eugene, no Pai Goriot.. e também pra corromper o leitor.
Sempre fico

Vou transcrever um trecho de um dialogo, mas é outro personagem quem fala, mas que poderia perfeitamente ser o Vautrin(ele fala coisas bem parecidas no final de Ilusões Perdidas, inclusive)

"(...) Quanto maior for a frieza com que calcular, mais longe irá. Dê golpes sem piedade e será temido. Considere homens e mulheres apenas como cavalos de posta que deixará morrer a cada etapa do caminho, e assim chegará à meta de seus desejos. Vejo bem, o senhor nada será se não despertar o interesse de uma mulher. Precisará de uma jovem, rica, elegante. Mas, se tiver um sentimento verdadeiro, esconda-o como um tesouro; jamais deixe alguém desconfiar dele, pois estará perdido. Deixaria de ser o carrasco para tornar-se a vítima. Se um dia amar, guarde bem seu segredo! "

Acabei de achar uns trechos de Ilusões perdidas com palavras do próprio Vautrin:
“Não veja nos homens, e sobretudo nas mulheres, mais que instrumentos, mas não os deixe perceber isso”, diz Vautrin ao discípulo, pobre e ambicioso. “Adore como ao próprio Deus aquele que, em posição mais alta que você, pode lhe ser útil, e não o largue até que ele tenha pago muito caro sua servidão. Enfim, no comércio do mundo, seja áspero assim como o judeu: faça pelo poder tudo o que ele faz pelo dinheiro. E também: preocupe-se com o homem em desgraça tanto quanto como se ele nunca tivesse existido.”
Ele afirma que Lucien, não tendo nada, se encontra na situação de Richelieu ou Napoleão no início de suas ambições; estes avaliaram que o para terem um futuro brilhante deveriam se valer de armas como a ingratidão, a traição e as mais violentas contradições. “Quem quer tudo deve ousar tudo”.

Pra mim, é perturbador perceber que há lógica nesses raciocínios.
Eu sou, como até a minha namorada as vezes diz, bonzinho demais, mas sou por escolha.
Só que com um pequeno empurrãozinho, posso acabar sendo seduzido de vez pelo "lado negro" e acabar sendo tão ruim quanto hoje eu sou bom.
Não acho essa possibilidade impossível e nem improvável.
Acho muito inquietante, isso sim..

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Tem dias em que eu chego na faculdade e não sinto a menor vontade de falar com ninguém.
Não sei exatamente o motivo, se é a minha auto-estima oscilante, que quando está mais baixa acaba me levando a recaídas da fobia social, se eu simplesmente prefiro ler a falar com pessoas, se é o fato de eu não funcionar muito bem quando o sol ainda tá alto..

Só sei que na maioria das vezes, assim como hoje, chego e vou direto pro meu lugar, no fundo da sala. Viro a carteira na minha frente de lado, pra poder colocar os pés em cima, e abro o livro que estiver lendo.
Converso com quem fala comigo e sempre sou simpático o suficiente pra não passar por escroto, mas hoje, por exemplo, não tomei a iniciativa de cumprimentar ninguéém.

To falando nisso porquê eu deveria sentir (e, beeem raramente, sinto mesmo) uma melancolia por não estar criando vínculos, fazendo amizade com o pessoal da minha sala.
Sei lá, tenho a impressão de que estou levando a minha vida social da maneira errada..


Talvez o motivo por eu não sentir vontade de me entrosar, ao contrário do que vejo todos os colegas fazendo seja que, ao contrário deles, eu não vou ficar por aqui muito tempo.
Talvez nem termine a facul por aqui, talvez pegue uma transferência pra qualquer outro lugar do mundo terminar lá.
Além do mais, eu sou o único que mora em Parelhas, da minha turma.

Assim, até que me dou bem com vários alunos e eles só me deixam em paz por educação, talvez.
Alias, eu agradeço muito por isso haha
Não é como se eu fosse um excluído nem nada..

E avaliando bem a situação, não tem motivo pra eu me importar com essa solidãozinha, me viro super bem sozinho, pelo menos na maior parte do tempo.
E, afinal, se eu estivesse no RJ ou em SP, eu faria amigos bem mais fácil.

ps: Mas se não fosse a internet pra manter contato com os amigos, eu enlouqueceria.

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Assim que cheguei aqui na escola, hoje, comecei a me sentir bem.
Isso foi estranho pq eu acordei mal e fiquei ainda pior pouco antes de sair de casa, graças a uma mensagem que recebi no facebook, da Lú.
Felizmente depois de ir no ônibus ouvindo música e lendo Pornopopéia, cheguei na facul com a cabeça arejada e me sentindo com a auto-estima bem acima do normal. Isso se refletiu nos corredores: falei com várias pessoas e até senti prazer com isso, ao invés do normal "só-falo-se-falarem-primeiro", que é mais ou menos torturante de acordo com o estado do meu humor( ou com a falta dele).

Na hora que saí de casa, cheguei no ponto em cima da hora, mas o ônibus atrasou pela primeira vez nos dois meses em que faço facul e eu pensei que já tinha passado. Quase fiquei feliz porque ia voltar pra casa, mas quando olhei de novo o ônibus tava vindo na esquina..
Nesse momento, assistindo aula de algoritmos e sabendo dos próximos dois horários vagos (e ainda por cima sem ritalina, que esqueci de trazer), to prevendo uma tarde entediante.
Pelo menos a noite minha mãe não vai estar em casa e vou fazer as minhas coisas gozando da "solidão(talvez absoluta, nessa noite..) noturna".
Talvez eu até estude para Redes.
Talvez..